Por: N.M.R.
Nas ruas de Curitiba, tudo parecia mais fácil. Não sejamos hipócritas em dizer que nada me lembrava você, até lembrava. Acho que você ia pirar tanto quanto eu naquelas araucárias, como aquela arvore consegue ser tão diferente da minha realidade e tão simples pra você que entende delas?
Mas você nunca andou por aquele chão, muito menos comigo, muito menos de mãos dadas comigo. E na verdade, o tempo (e as idiotices que você andou fazendo) te tiraram da minha alma, arrancaram do peito. O primeiro corte tinha sido dolorido, mas logo tudo foi tirado e após os pontos sobrou uma cicatriz que, pode pasmar, não dói mais – e eu achava que não ia sobreviver sem você.
Entendido que não existem metades de laranjas, que somos laranjas inteiras, fica mais fácil de seguir em frente: você percebe que existem muitos caminhos para chegar ao mesmo lugar, abre os olhos e começa a enxergar o real, sem a visão limitada de quem faz os mesmos caminhos todos os dias – e mesmo que os faça, enxerga casas, arvores e flores que nunca tinha visto antes.
Eu não preciso de você pra ser feliz. Na verdade, eu nunca precisei. Eu sempre precisei de mim, e foi a mim que você roubou de mim. Depois de me ter de volta, depois de finalmente suprir toda aquela falta que eu sentia de mim mesma, eu vejo que a minha leveza e minha paz estavam o tempo todo comigo e só dependiam dessa criatura que carrega a minha carcaça. E então, a solidão e a tensão que sempre atribui aos seus cuidados, eram responsabilidade dessa mesma criatura, me perdoa, você não era capaz.
Deitei na cama, na mesma Curitiba, e passava o musical “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” do diretor Baz Luhrmann. Logo apareceu a mais clichê das frases do filme “A coisa mais importante que você pode aprender é amar e ser amado em retribuição” e cara, logo percebi onde aquilo se encaixava: o amor mais puro e perfeitamente retribuído é o próprio: Não machuca, não rouba, não suga nada. E então no mesmo estilo do Amor em vermelho eu resolvi me amar "Haja o que houver eu irei amá-lo até o dia de minha morte." Virei o amor da minha própria vida – e então, quem sabe alguém me ame e eu ame alguém tanto assim (dizem que quem não se ama não tem desses privilégios.)
Me amando muito mais do que eu imaginei que um dia poderia te amar, desapego de você e te indico: visite Curitiba, em especial o Jardim Botânico (mas vá de carro, não estrague os meus caminhos), assista Moulin Rouge, é um bom filme – mas preste atenção em minha frase preferida "Eu não te devo nada. E você não é nada para mim. Obrigado por me curar da minha ridícula obsessão pelo amor." E por fim, se ame, é libertador, todo mundo merece – até você e suas idiotices.
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